meridian
home current issue editorial board reader survey submissions archive


Utilização da Tecnologia para o Desenvolvimento de Professores Globais:
Um Modelo Inovador

Harriett S. Stubbs

Translation
All Tasks Traduções

Revision
Mariana Reis
Instituto Sangari

Technical Revision
Patricia Maria Schubert Peres
Centro de Biologia Marinha – USP

Arlita McNamee
Coordenadora de Projetos Sociais
Instituto Sangari

www.institutosangari.org.br

Page 3

print this article email this article save this article

1 | 2 | 3 | 4


Quais são os seus objetivos?

Há muitas pessoas para participar em uma vivência internacional. Se você está planejando esta aventura, tenha seus objetivos em mente; caso contrário, os motivos para a sua viagem podem ficar obscuros. Você também corre o risco de não satisfazer seus objetivos ao terminar a viagem.

É relativamente fácil se inscrever em uma viagem para qualquer país. Entretanto, nosso projeto é único em termos de seus enfoques educacionais em cultura, educação e ecologia de outro país (veja a Figura 5). Acreditamos que as experiências internacionais são essenciais para o desenvolvimento profissional dos educadores. Atualmente, existem muitas faculdades e universidades particulares e públicas que insistem que seus estudantes tenham no mínimo uma experiência internacional antes da graduação. No papel de educadores, como estamos preparando nossos estudantes para essas experiências? Nós mesmos sabemos alguma coisa sobre outros países? Há muitos anos, temos conduzido um seminário de convivência de uma semana para educadores nas montanhas, onde eles estudam um ecossistema único. Educadores de diferentes países se encontram com professores de diferentes estados. Suas avaliações indicam que o intercâmbio de idéias provenientes de diferentes experiências foi o item mais importante; esses educadores são incisivos ao afirmarem que essa experiência mudou suas perspectivas e abordagens.

explore

Figura 5 . Os participantes exploram um ecossistema único na Amazônia

Para fomentar o sucesso de cada participante individual do seminário, é importante enfrentar desafios, dar tempo para auto-exploração e incorporar conhecimentos novos e diferentes, desenvolvendo as atividades em sua própria sala de aula (Howe & Stubbs, 1998). Ficamos convencidos de que fatores importantes para os seminários não vivenciais poderiam ser os mesmos para os seminários vivenciais. Muitos dos professores participantes informaram que a experiência nas montanhas foi transformadora. Quais foram as razões para isso? Vivenciar, trabalhar e viajar juntos foram fatores significativos para os educadores? O afastamento de seus ambientes domésticos, liberando-os de suas responsabilidades normais, foi importante? Queremos testar várias abordagens diferentes com essa experiência internacional:

• Podemos viajar para um local diferente e proporcionar uma experiência internacional para os educadores?

• Podemos nos reunir com professores daquele país? Isso tornará a experiência mais valiosa para os participantes?

• Essa experiência traz desafios aos participantes? Eles vão retornar dessa vivência tão entusiasmados a ponto de incorporarem os conhecimentos adquiridos nas disciplinas que ensinam aos seus alunos?

• Podemos utilizar o método SCI-LINK (Anderson, 1993)? Os educadores desenvolverão suas próprias atividades de ensino ao retornarem às salas de aula, fornecendo um mecanismo para aumento do autoconhecimento?

• Haverá um relacionamento constante entre participantes de diferentes países?

• Essa experiência beneficiará os alunos dos participantes?

• Poderá haver uma conexão entre os alunos dos educadores?

Estamos somente começando a responder essas questões à medida que entramos no quinto ano do projeto. Estaremos mais interessados nos resultados que quaisquer outras pessoas que tenham se engajado nessas experiências possam querer compartilhar.

Como se desenvolveram essas experiências internacionais?

Ao planejarmos uma experiência internacional, as circunstâncias de cada pessoa serão diferentes. Essas experiências envolvem muitas pessoas e organizações. Leva tempo para que as conexões se estabeleçam antes das experiências reais. Reuniões casuais e descobertas gratificantes fazem parte desse esquema.

Para ilustrar os meandros dessa experiência internacional, considere o seguinte: um aluno de graduação de outro país insistiu que participássemos de uma conferência. Cinco de nós foram. No ano seguinte, como resultado daquela conferência, Stubbs tornou-se a primeira Visitante Acadêmica em uma organização pública sem fins lucrativos naquele país. Os residentes locais levaram a profa. Stubbs a muitos lugares diferentes durante sua estada nessa área urbana muito grande. Essa experiência foi uma importante orientação em primeira mão sobre a cultura da área e importante no futuro planejamento de programas de desenvolvimento profissional entre os dois países.

Nos três anos seguintes, projetos foram conduzidos e facilitados pelos relacionamentos de longo prazo entre as entidades do outro país e a universidade nos EUA. Com o forte apoio e as extensas conexões dos membros do Conselho Consultivo do Instituto Sangari (Instituição de Cooperação), além do suporte de nosso Departamento de Educação em Matemática, Ciências e Tecnologia e da administração da NCSU (Instituição Local), fomos capazes de comandar esses esforços em uma escala pequena, porém bem-sucedida.

A instituição de ensino superior e os estudantes estrangeiros estavam presentes em nossos seminários nos EUA. No ano seguinte, educadores americanos viajaram para o outro país, examinando a cultura, pedagogia e um ecossistema específico. Os professores, administradores de educação científica, bibliotecários de ciências e dois cientistas em ensino aprenderam com especialistas e cientistas, os quais se revezaram na apresentação de descobertas de pesquisas atuais relacionadas aos ambientes ecológicos e às práticas educacionais do outro país.

Em 2005, os professores e administradores escolares dos dois países se reuniram e os resultados foram extraordinários. O encontro entre um professor de um país com um professor de outro país faz uma diferença importante em relação a qualquer um dos nossos outros seminários de desenvolvimento profissional. Os professores encontram formas de se comunicar e trocar experiências mesmo quando os intérpretes não estão presentes. Essas experiências em equipe, em uma das maiores cidades do mundo e entre professores de ambos os países, acrescentaram uma nova dimensão à nossa visão sobre o que pode acontecer no futuro.

Por que é importante cooperar e coordenar com uma organização no outro país?

Chegamos à conclusão de que as conexões locais são essenciais para enriquecer e expandir os conhecimentos do projeto. Este é um projeto bidirecional que demanda cooperação, coordenação e flexibilidade tanto da Instituição Local como da Instituição de Cooperação. Na verdade, muito pouco de nosso projeto teria sido bem-sucedido sem o apoio positivo de Ben Sangari, do Instituto Sangari.

Alguns benefícios importantes de trabalhar com uma organização com conexões locais e o impacto subseqüente nas experiências dos professores são mostrados a seguir:

• O sucesso do projeto depende da infra-estrutura, cooperação e do suporte das entidades do outro país. O pessoal-chave, a equipe e os Membros do Conselho da Instituição de Cooperação oferecem uma fonte única de especialização em muitas qualificações diferentes.

• Intérpretes eficientes são essenciais para o sucesso da viagem. Os intérpretes locais são providenciados pela Instituição de Cooperação. O intérprete é uma parte essencial da experiência e pode “viabilizar ou não” a experiência. Aprendemos: como e quando interpretar de forma que a platéia não fique entediada e permaneça “alerta”; quando os intérpretes são necessários; quantos deles devem acompanhar um grupo em viagem; e o tipo de conhecimentos básicos que eles precisam para se comunicar de forma ideal com os educadores sobre os diferentes tópicos. Reservaremos um tempo maior na próxima viagem definindo nossos requisitos antecipadamente para os intérpretes.

• A orientação das equipes de projeto em ambos os países é essencial para preparar todos os líderes de viagem em técnicas eficazes de facilitação, tópicos de segurança pessoal e patrimonial, expectativas de desenvolvimento de atividades em sala de aula pelos professores, manutenção da coesão do grupo e as diferenças culturais e expectativas da equipe no compartilhamento de conhecimentos e tratamento dos eventuais problemas.

Como planejar uma experiência de desenvolvimento profissional como essa?

O Diretor do Projeto, em conjunto com os membros da equipe da Instituição de Cooperação, decidiu sobre o que era importante e como o programa poderia ser orquestrado. A equipe trabalhou com uma agência de viagens local sobre opções, prazos e contatos locais. Eles também planejaram a aventura no ecossistema específico; a comunicação entre as partes foi essencial. A programação foi alterada inúmeras vezes. Todos nós aprendemos a ser flexíveis. Chegamos a uma programação geral com a premissa de que poderíamos alterá-la conforme a necessidade. Pudemos reagir imediatamente às avaliações diárias, de forma que se os participantes estivessem cansados, poderíamos oferecer o café da manhã mais tarde ou mesmo cancelar uma atividade particular. A programação também poderia ser reajustada por causa do tempo. Em vez de realizar uma atividade externa em dia de chuva, os participantes poderiam visitar um museu. Além disso, foi reservado tempo para pesquisa e desenvolvimento de atividades individuais e a elaboração de registros diários nos computadores.

Estimamos o percentual de tempo a ser despendido em educação, meio ambiente e cultura do país. Consideramos a necessidade de uma programação variada, incluindo: apresentações de palestrantes espaçadas de forma uniforme, intervalos durante o dia; atividades que incluíssem audição, participação, trabalho em grupo, trabalho individual e tempo para trabalhos nos computadores.

Na chegada, cada participante recebia a programação diária. Ela descrevia cada período de 30 minutos no tempo do programa. As preparações dessas aventuras intensivas e diversificadas requerem extenso planejamento, coordenação e supervisão de várias pessoas em ambos os países antes da viagem. De acordo com as pessoas que conduziram esses tipos de experimentos no último relatório, essa vivência requer dedicação de todas as pessoas envolvidas (Emmett Wright, comunicação pessoal, dezembro de 2005).

Desenvolvimento das atividades pelos participantes

Os participantes utilizam computadores no hotel no qual estão hospedados para manter seus diários, desenvolver atividades e se comunicar com os familiares em casa. Apesar de esperarmos ter acesso a computadores durante a viagem, isso nem sempre é viável. É importante desenvolver uma lista de e-mails para futuras conexões.

As conclusões dos seminários SCI-LINK anteriores indicam que entre 96% a 100% dos professores que desenvolveram suas próprias atividades em um arranjo de seminário praticam essas atividades em sala de aula (Howe & Stubbs, 1998). Além disso, 69% dos participantes utilizaram as atividades duas ou mais vezes e 67% utilizaram os novos conhecimentos científicos apresentados no seminário no desenvolvimento de suas atividades. Além disso, 91% a 94% dos professores compartilharam idéias com os colegas e 80% a 88% dos participantes compartilharam os recursos materiais fornecidos nos seminários com os colegas.

Os participantes recebem uma sugestão de formato de atividades desenvolvido pelos professores, utilizado em outros seminários da SCI-LINK. As atividades desenvolvidas pelos participantes podem ser colocadas em um site da web para a visualização e utilização por outras pessoas (Stubbs & Anderson, 1995).

Por que o componente de avaliação é importante?

Após o projeto de avaliação formativa e complementar da Dra. Ann Howe (1998; 2003) com base no trabalho precedente, avaliações diárias foram informadas. Mudanças imediatas puderam ser efetuadas pelos líderes de projeto; as atividades planejadas foram ajustadas com base no feedback dos participantes. Utilizando uma avaliação externa final dos objetivos e atividades do projeto, a estrutura do segundo ano foi modificada para acomodar muitas das recomendações dos participantes do primeiro ano: tempo insuficiente para reflexão; tempo excessivo em ônibus e carros; maior tempo pessoal com participantes estrangeiros; os participantes precisaram de tempo de descanso; e todos queriam ter acesso a computadores individuais para a elaboração de diários, tarefas do projeto e pesquisa.

Avaliações diárias. Estamos desenvolvendo um formulário de avaliação on-line para ser devolvido diariamente ao escritório local para tabulação. Isso economizará tempo importante da equipe em 2008. Além disso, a avaliação final será administrada por computador.

Sessões de brainstorming. Os professores de cada país compartilharam posteriormente o que tinham aprendido sobre si mesmos. Um professor afirmou, “eu aprendi a conhecer meus limites e a conviver com culturas diferentes”. Outro comentou, “eu aprendi que posso fazer tudo o que quiser com paciência e determinação”, ao passo que outro aprendeu a “aceitar e entender as diferenças entre as pessoas”. Um outro professor aprendeu que “as pessoas são parecidas em todo o mundo”. Quando questionados sobre o que aprenderam sobre as outras pessoas, as respostas incluíram afirmações como “Aprendemos com as diferenças”. Um outro professor comentou “que independentemente da dinâmica de um grupo, todos aprendemos a ajudar uns aos outros e formar um vínculo de confiança e camaradagem”. Para muitos, essa foi a primeira vez que viveram muitas experiências: viajar sozinho, explorar uma selva e aprender a sobreviver com um suporte mínimo em um ambiente estranho; além de viajar em um avião. Todos os participantes afirmaram que esta foi a primeira vez que compartilharam uma experiência desse tipo com membros de outro país, uma cultura diferente e pessoas que falam um idioma diferente.

Acompanhamento e disseminação . É essencial acompanhar os participantes nas avaliações e sugestões posteriores. Existe uma influência duradoura da experiência? Estamos agora começando a receber os resultados; ainda não houve tempo suficiente para avaliar as mudanças da experiência de 2007. Por exemplo, uma participante brasileira em 2007, Ana, informou que passou algumas horas no Google Earth e foi realmente capaz de localizar a imagem de satélite de uma de nossas pousadas . Ela fez uma cópia da imagem que pode ser utilizada em suas aulas, apresentações e futuros artigos. Ela encontrou uma trilha de gado no Pantanal, semelhante àquela que tivemos que percorrer, observando os vaqueiros, ou pantaneiros, batendo com seus chicotes de metal. Ana começará a lecionar uma nova disciplina opcional no segundo semestre em sua escola de nível médio, enfocando os problemas ambientais locais e no Brasil, incluindo a biodiversidade da flora e fauna do Pantanal. Ela irá incorporar muitas de suas fotos digitais e clipes de vídeo produzidos durante a viagem. Ela reportará os resultados após sua experiência.

Alguns educadores participarão como futuros professores da equipe e compartilharão suas especializações específicas. Com a confiança adquirida no confronto com novas experiências, eles farão apresentações em conferências locais, estaduais, regionais, nacionais e internacionais. Eles poderão efetuar as apresentações utilizando novas tecnologias; eles poderão contribuir com artigos ou se envolver em disseminação posterior de informações e currículos importantes. Para obter alguns exemplos, acesse http://www.ncsu.edu/scilink (NCSU, n.d.) e www.institutosangari.org.br (Instituto Sangari, n.d.). Estamos ansiosos para que cada participante apresente suas conclusões e seus resultados em um artigo de acompanhamento.

Em alguns anos, o mundo de nossos alunos será diferente do mundo que conhecemos. É essencial que os educadores participem no desenvolvimento da rede global, maximizando nosso conhecimento, de forma que possamos nos comunicar com nossos alunos, a futura força de trabalho nessa sociedade global emergente.

Page 3

previous

1 | 2 | 3 | 4

next



Current Issue | Editorial Board | Reader Survey | Special Honors
Submissions | Resources | Archive | Text Version | Email
NC State Homepage


Meridian: A Middle School Computer Technologies Journal
a service of NC State University, Raleigh, NC
Volume 12, Issue 1, 2009
ISSN 1097-9778
URL: http://www.ncsu.edu/meridian/winter2009/
Contact Meridian
All rights reserved by the authors.



Meridian is a member of the GEM Consortium